A VIAGEM

Adeus campismo
ficas com o teu hipismo
eu vou de barco
curvando a África como arco

Parto roto ainda puto
do porto-rato de Maputo
ai! Que beleza
veja minha pobreza

Parto de calções
e, cheio de emoções
exibo a sapatilha
chegarei a ilha

Em fila Indiana
todos na idade mediana
atravessamos o Indico
no luxo alheio me sinto mendigo

Navego a África do Sul
numa tarde rica de azúl
e, na ponta das agulhas
um garôto engoliu agulhas

Um chião do peixe voador
zás! Um avião provocador
ameaça bombardear
minha viagem era de odiar

Na esperada Namibia
vi a linda rã anfibia
fora do perigo
me sentia no abrigo

Nas costas de Luanda
apreciei nova onda
sorridente de ver Angola
dancei em forma de argola

Nos tufões do Kingston
Teu rico tom
E no Haiti cala-te
Ai! Ti.

Chego a Ilha
de sapatilha
minha África
rica não fica

viva minha Afro-Cuba
que meninos encuba
e tua ilha de pinos na antiguidade
maravilha vasilha ilha da juventude

ALSICO
in Atravessia

AS FLÓRES E O SONHO

Tu és minha razão
neste enorme vão
és delirio da douçura
tu curas minha loucura

Vem ai noites de luar
para teu corpo fumar
ligados no mesmo elo
nestas terras de gelo

Apetitoso como o porco
meu musculo profundo em teu corpo
gigantes como bizonte
nossos miolos no horizonte

Tuas tetas firmes como fortaleza
tua pele macia cheia de beleza
e o centro da tua vida nacta flôr
descanso na frescura da tua côr

ALSICO
in Atravessia

AS FLÓRES E O SONHO

Tu és minha razão
neste enorme vão
és delirio da douçura
tu curas minha loucura

Vem ai noites de luar
para teu corpo fumar
ligados no mesmo elo
nestas terras de gelo

Apetitoso como o porco
meu musculo profundo em teu corpo
gigantes como bizonte
nossos miolos no horizonte

Tuas tetas firmes como fortaleza
tua pele macia cheia de beleza
e o centro da tua vida nacta flôr
descanso na frescura da tua côr

ALSICO
in Atravessia

ATRAVESSIA

Atravesso as trévas escúras
péntalas brávas de loucuras
no orgulho do engano
verdade ambigua do governo

Pela justa aсção furiosa
dos homens encarcerados
na violação injuriosa
dos direitos comuns traçados

Atravesso vastas lávras
minfas e mitos de várias eras
do vandalismo a reinar
na esperança a plantar

Atravesso incansável
na espiral das pessoas reeducadas
pela dôr das mãos arrebentadas
e na consciência da gente indomável

Atravesso o grito irado
das hienas famintas
no terreno pelas mãos arado
e, hoje já de sangue tintas

Atravesso o golpe da enxada
no corte bravo do machado
da foice e da contusão da picareta
na pá universal do destronque

Sob o comando do asno miliciano
concentrado na marcha a correr
nas fébres que me convencem a morrer
jamais sería feliciano

Atravesso as árduas torturas
no inverno do Niassa
terra de grandes aventuras
em grande caça a pacassa

Atravesso o miar da fome
nas terras crismadas
onde o luxo é renome
a certeza e a razão estão criadas

Viva! Calor massivo
de gente inofensiva
a celebrar a vitória
e o destino da glória

Milhões de almas segas
pelas insenações mágicas
do famoso futuro
que hoje é vão furo

Atravesso a fraude
dos doutores a balde
que como antílopes
níveis saltitaram a sete pes

Atravesso ignorantes demonios
no grosso dos contemporâneos
que acumulam mecanicamente
o que sabemos verdadeiramente.

ALSICO
in Atravessia

LÍRIOS QUE MURCHAM

Meu grito faminto
roga-te deus Maputo
eu hoje no chão
que me chutes um pão

No alarido da minha vóz ferida
tua linda esperança prometida
com a fome hoje destruida
sou encomenda só com selo de ida

Recebo minha condena
e porque venero ordena
longe de tí minha terra
não como Moscovo lixo enterra

Meu grito sufocado ronca
no vão e na distância longa
pelos lírios que murcham
e pelas sementes que secam

Na demagogía de palávras bonítas
e nas promessas infinitas
não mendigo rebelo
porque á injustiça injuriosa repelo

Sou uma lacra de luxo
pontapeado no lixo
bebendo dessabores pelo saber
nos pántanos da misericórdia

Onde plebeus bebem a razăo
dos caminhos destruidos
e das paredes grossas ja demulidas
pelo perigo oculto que se ergue.

ALSICO
in Atravessia

O BAILARINO

Dancei tango
como orango-tango
num rango
enquanto voâva o papatango

Altos paços
como bailarinos
rindo-me os moços
que se faziam de dançarinos

Dancei tango
como orango-tango
num rango
enquanto voâva o papatango

O gato doutro lado, mião!
E os miúdos gritando, aviăo! avião!
Lá na miundagem o meu irmão
que me exclamava: mano Simão!

ALSICO
in Atravessia

POR TI HOJE DOUTOR

Por tí hoje, Doutor
homem das minhas bandas
holocausto de poderes infinitos
por tí irmão, de tantos mitos
do maticado de miséria, das rezas infinitas
e do reino das magías negras
onde o som do caniço na primavera desperta-te
para a sementeira ingloria da época das secas
na melodia sem compositor
e do teu corpo descamisado pela furia das cheias
por tí irmão,menino productor
inclinado no fogo do inverno
horas a frio,com teu caderno
cheirando fezes de vacas
de teu cubículo delas maticado
eu, sim sou teu irmão eterno
do passado comum hoje renegado
e do futuro a criar ,paterno,
ignorado e explorado
mas amado e esperado
de razões inexplicáveis
porque tua alma impotente
glorifica minha terra,contente
de teus dotes invejáveis
minha terra que de viva resistência
suportou teu peso desde infância
por tí irmăo, artífice de luxo
que embeleza o lixo
de peregrinos que não são do nosso império
mas que bebem no leito do nosso rio
e não conhecem o maticado
de fezes de gado criado
lavrando imensos campos
no sonho de palpar o arco-íris
dos terrenos hérois,
onde o nosso rei jurou
que nossa terra fará réis.

ALSICO
in Atravessia

A MINHA PROVENIENCIA

Nesta cizânia de confusão
tenho minha decisão
sei donde provím
do macaco não vím

Muita imaginação
para encontrar explicação
quem construiu as pirâmides egípcias?
Serão os macacos para sa suas núpcias?

Como na infância
imaginação sem clemência
veemência e arrogância
ora, tenra fora de hora

Minha eterna recusa
a ninguém acusa
porque o homem vive de ilusões
razão do Darwin e suas explosões

Minha proveniência não é roleta
não vím de outro planeta
mas se vím do macaco
o elefante proveio do porco

Antes da recusa do gigante, teimo
Não vim de objectos voadores
vím da bondade do ser supremo
espero que tu também a ele o adores

ALSICO
in Atravessia

ADEUS PARA SEMPRE

Minha mãe adeus
adeus meu Deus
tranquilidade no paraíso
uma flor e um sorriso

Descanses no paraíso
mãe negra de tranças de granizo
negra de alma clara
que céu amara

Descanses tranquila tua alma
sejas do mundo da calma
que recebas o rosário rezado
na felicidade da tua alma!

Adeus para sempre
minha amada Santa
mãe que minha vôz sempre canta
na melodia divina tua ópera

Onde vózes inocêntes
rimam na fé de crentes
pela salvação da terra pecadora
porque tú no mundo foste salvadora

Pelo caminho de Deus
mãe amada adorada e eterna
mãe para sempre adeus
que descances na fé amada e tenra

Adeus minha mãe única
mãe tua fé em mi fica
adeus para sempre e tua fé rica
em teus filhos amados fica

ALSICO in Atravessia

VEJO A LUZ

Não devo temer
a vida nunca é fácil
deste vão não vou gemer
espero o tempo dócil

Meu passo é lento
mas sei que chegarei
porque ja sopra o vento
que com lágrimas esperei

Em cada momento
nesta escuridão
aprendo novo talento
não repito o erro do irmão

A vida nunca é fácil
seja onde eu fôr
a vida é récil
não implora favor

Nesta escuridão
vejo o sol do novo dia
e sinto o amor de salvação
que sopra em linda melodia

ja cai do ceu o granizo
vejo o jardim do paraiso
e digo, terei a salvação
encho-me de emoção

Toco a minha guitarra
experimento novo talento
dou o som da minha terra
meu passo é lento

Escorrego no gelo do inverno
mas sei que chegarei
olho perseverante ao futuro eterno
e digo diploma terei

No sonho vejo o sol
vejo mãe negra calçada
e digo cumpri meu rol
vejo o fim de toda maçada

ALSICO
in Atravessia

A CRIANÇA

Tú és a alma vírgem e inocente
indistinguível de exigência e condulta
tú és a lei apriorística da razão ausente
do prazer, dever e amor que nosso mundo habita

Criança desputa de ideias e acções
de virtudes de bondade e maldade
de homens detentores de tríbus e nações
sem piedade em tua tenra idade

Criança mança indefesa e inocente
da barbaridade e da maldade crescente
inofenciva da coação e de convicção
vitima da cisão do amor e da maldição

És meu juramento de coração
És amor e mandamento da razão
teu louvor merece amor recíproco
de deleite que hoje para tí é pouco

ALSICO
in Atravessia

EXCOMUNHÃO

Chamaste-me irmão
quando querias encher tua mão
embrulhando minha bondade
pelo teu gesto de maldade

Lesaste meu coração
ainda que trajado de meu sofrimento
destruiste meu caminho são
por tí , falso amigo, lamento

Porque poseste a mentira no nosso refugio
e entregaste tua honra sobre a falsidade
lavaste tua desonra pelo meu prestígio
tua alma não subsistirá pela tua maldade

Perante tua mentira a língua dos gagos
estará pronta para falar distintamente
tú que nunca distiguiste teus verdadeiros amigos
numa actitude de densora demente

Tua traição te perseguirá em teus sonhos
e ,tua vingança te escomungará dos fiéis
viverás de teus caprichos risonhos
e, verás detruido teu mundo dos crueis

Porque esqueceste meu sangue escasso
que jorei para dar-te minha mão franca
quando sofrias de fracasso
de tua alma suja negra e fraca

Viverás roto no mundo da tua artimanha
porque cuspiste na honra dos que te amavam
tua cara desprovida de vergonha
jamais conhecerá glória. Amem!

ALSICO
in Atravessia

A VIDA É POEMA

Sinto passos lentos
em prol dos ventos
a singrarem nos ecos
oiço tons lindos e secos

A rimarem nos becos
não somos seres parados
nossa vida é de sons
com horizontes de dons

Somos rico poema
e cada dia é um tema
de contar e escrever
homem tudo a mover

Num movimento uniforme
deixando tudo conforme
para o mundo rimar
na terra e no mar

Num delírio de amor
onde tudo parece humor
ritmizando-se a esperança
com estrófes de confiança

ALSICO
in Atravessia

NOSTALGIA

Nostalgia do som dos tambores
e da vontade de regressar
á minha terra de ricos sabores
nostalgia é o tempo a passar
sob a dôr aprazível
pela terra invisível

Nostalgia do sol ardente
da minha gente prudente
onde o homem vale por ser homem
e não pelas capas dermicas
e pelas ridículas polémicas
de quem nasceu para ser supremo
nostalgia porque no exterior de medo tremo

Nostalgia de querer ver
e não poder
de palpar e não poder
o solo de minha terra
e caminhar nela firme
por ela ser minha
e não alheia.

ALSICO
in Atrvessia

A MINHA TERRA

Moçambique mundo de choque
Moçambique minha terra, inculta
em tí ergue-se a insónia pela verdade
e pela razão da certeza oculta

De miséria absoluta sem piedade
de gente espoliada e inocente
minha terra de mizeria crescente
onde milhões de pobres perpétuos

Comungam no mercado da morte
antítese da razão e da sorte
de muitas almas sacrificadas
e de muitas vozes sufocadas

Nas guerras que dizem ser nossas
só e só porque ceifaram as massas
Moçambique minha terra macabra
de terríveis mortes de suptíl manobra

Onde o sól traz horror
e a noite incrível terror
nos becos da estrada escura
onde a morte se adorna

Com um artifício que não cura
a dõr embalada na urna
para uma, eterna viagem
que até hoje voltou só ninguém

Terra de sofrimento secular
que só chibalo conseguiu anular
para lavrar a hedionda colonização
deixando uma sementeira de salgação

Onde os cataclismos do reino
ruiram no turno do tempo fino
da espingarda injuriosa
permissão duma críse furiosa

Ceifando vidas como espigas
e prendendo milhões de almas
do contacto humano com Deus
premissa da ruína dos gostos meus

Para a época dos anjos nínjas
como pragas diabólicas das granjas
a semeiar a morte e o terror
como em pleno teatro de horror

No falhanço de marcar gólpes
no leito dos extranhos poderes á ruina
onde se prendem as mãos e os pés
para uma embólia geral de pnéu e gasólina

Moçambique terra de milágres
e de poderes de avoengos
onde só os misteriosos vivem alégres
na fraudulenta vantagem dos magos

ALSICO
in Atravessia

NO RIGOR DO INVERNO

Nesta superfície resbalosa
do gelo escorregadio
está a minha víngança furiosa
contra o tempo vadio
que nâo respeita
ao estranho peregríno
e ao seu belo hino

Nestes tempos ufanos
de inesquecíveis anos
que sacham no ódio
da solidão das măes esquecidas
e do adultério diário
dos meninos que se tornam polígamos

E nosso sangue, nossos filhos
filhos ilegais mulheres enganadas
pelos contos lendarios e adornados
de mistificão e insenação
de homens de contos
que se tornavam heróis vivos

Nesta terra branca mistificada
de emigrantes alheios
a procrea-la de gente santificada
que fielmente ama a Deus
Tudo neste rigor do inverno
sempre com o caderno

no vai-vém escola-casa
a cumprir minha condena
que jurei cumpri-la em liberdade
e para libertar minha personalidade
cultivando minha semente racional
para deixar de pensar como animal

Eu homem, tropicano
do horizonte insular africano
a decepar minha energia
nesta grande geleira vigia
de neve e gelo do Norte
baptizo minha sorte de sofrimento
e de quedas no gelo que me levam a beber
no altar de saber

ALSICO
in Atravessia

AMOR ROGADO

Nunca direi que fui mendigo
ao rogar estar contigo
não porque sou varão
e, porque quero semear em tí
os meus geneais sentimentos
que dormem ora séculos em mím
e porque o céu e a terra
ir-se -ão beijar nos horizontes
em forma de arco e nos montes
para anunciarem ás fontes
da vida porque os homens viverão
então trovoadas e chuvas virão
para cultivar videiras e colher as uvas
depois á santa vindima
e no fim estarei ebrio como vítima
caida na armadilha
tú me soltarás e, assim
começará a partilha
de péndulos tic-tac das ancas
e os pombos voarão ás arcas
para anunciarem o fim do delúvio
e, nove meses passarão
depois tu vais trazer as sementes
no vislumbro de dentes sorridentes
e todos Mãe dirão
porque serás mãe
e saberás que não mendiguei, amei.

ALSICO
in Atravessia

O MEU PASSADO

Minha infância não foi penúria
naquela planície de furia
onde as espigas
de milho florescem
camufulando pragas
e passáros nos seus hastes

Na vertente verdejante,nos encharcos
onde pasteí mugidores(bois e vacas)
entregando-os aos duelos
dos choques de cornos
para os prazeres loucos
que só a infância deleitera

Ás alcunhas pejorativas
que levam as gentes
as lutas actívas
ja não de choques de cornos
mas de vivos punhos

Onde o homem vai crescendo
para no caminho não ficar
e , caça, ja poder dizer
com a fígiga estómago sacear
a fendar com a charrua
brechas no corpo da minha terra pura
onde milho, amendoim, gergelim
e, cajú podia comer

Penúria é só a fúria
dela chegar importada
com as armas da morte
na minha terra do Sul ao Norte
onde a esperânça foge no horizonte
no oco eco que são a razão
da minha terra ensanguetada
e de sua gente no subsolo encantonada

Hoje sobreviventes reunidos
sacham na alma dos idos
e, se desculpam
de não estarem com eles

No suporte hércules da terra
onde sua física se desenterra
na vingança geral
por terem cedo partido

Porque debilhadoras águias em vão
na caça deram carne
para no cego sofisma
e, na prestidigiataçăo receberem pão
no seu gólpe rápido
e no truque do hipnotismo

Como espigas no solo
mortos vão germinando
e sua morte de penúria
generaliza-se em fúria
como um império dominando
estados e feudos decadentes

Respira meu cérebro
enquanto não ébrio
porque há segredos
que só o lápis poemando
pode dizer aos meus filhos
em silencio mas gritando.

ALSICO
in Atravessia

O REGRESSO DOS VERSOS

Quando herdei venerei
ainda que em tempos chorei
porque o héroi que o poema elógia
ficou na página da necrologia
onde mesmo morto
porque foi suptil
seu traço é útil

Diz-se que foste
como um caido haste
de milho com semente
que na campra respira
de ouvir-se tua vôz
como professor docente
sem curso mas decente
na tua lição antipedagógica

Que sem lógica
deixou-se cair
na maré débil
onde remam gansos
e as cisnes historiando
te chamaram Clodoveu
porque ja morto
no canto dolho lágrima choveu

Repetindo teu prado
de incerteza e determinaçăo
com um calor frio
em horas de promoçăo
hoje firo o papél de poema
como marcha do rio
que no terreno deixa vertentes
e arrasta vários afluentes

Tu que, sacanaste
na alma de muitos
pela tua grei hermética
de poderes infinitos
na inflexíbilidade matemática
onde anos somaram-se com gritos

Á verdade que cresce
porque o teor dalma vive
na incerteza da tua morte
porque te imortalizaste na fogueira
em tempos de cegueira
onde dizíamos VIVA! E vivíamos.

ALSICO
in Atravessia

JALEIA REAL

No fundo do teu amor
quero sentir o calor
de teus beijos nesta praia
cheia de purpura e loucura
onde o sól solitário foge
a imoralidade que se espaira
em teu corpo nú e trémulo
eu a singrar com meu músculo

Despertando instintos
que me fazem chorar
de lágriamas e leite
deitado no teu leito
a semear ternura
porque tu és brilhante
e eu sou joeiro salvante
Nesta sensação pura
de perípulos nas estrelas
onde enamoro etrófes belas
de movimentos uniformes
que ponteam rimas

No vai-vém salgado
do suor a gotejar
onde deixo meu pecado
de tanto gostar de víajar
nessas estrelas longinquas
que me cativam de ser fiél
porque em cada canto
mergulho no manto
e sempre me encanto
na vacancia dessas viagens

Para mais uma aposentação
doirada de sensação
de saber que em cada canto
nesta sementeira de sentidos
da perícia e carícia
eu estrilho a obra
do escultor que não cobra

Os traços de sua obra inegualada
de perfeição e excelência
de ternura e sencibilidade
como flôr e eu jardineiro
a podar com fidelidade
bebendo a tua jaleia real

ALSICO
in Atravessia

NO DESPORTIVO

Meu movimento
rico talento
como Espartaco
amador não a taco
sempre no desportivo
alégre e activo

Nas apostas prometidas
e nas gloriosas partidas
cheque-mate
minha arte
e, no rectângulo
golo não engolo

No desportivo
com motivo
sou activo
meu adversário inativo
sente-se cativo
troco seu calor
com meu amor
porque no ring
sinto-me king

No futebol
bato a bola
desenhando fintas
fazendo crescer meu músculo
e, dando sempre espetáculo

Vamos rapaz
jogue em paz
segue meu passo
les a sete patas
e nas ancas átes cinto
vamos com o desportivo

ALSICO
in Atravessia

MOÇAMBIQUE

Moçambique terra de alambique
do vinho de cajú e do Mussá-al-bique
do crú beijo das mulheres côr de noite
torneira mágica de gente que jorra leite
no haste vai-vem do pau procreador
nesta terra do mago mistico lavrador

Moçambique de alambique
do coqueiro e vinho da palma
ės a razão de ser Moçambique
do meu corpo de bronze e alma

Moçambique terra de alambique
do vinho de cajú e de ocanho
de água-ardente de cana-de-açucar
do himbondeiro e do seu tamanho

Moçambique de alambique
do dócil sumo do ananás
do lindo cacho das bananas
e de mulheres de capulanas
de noites cabelos a trançar
do som dos tambores e do seu tocar

Moçambique de alambique
terra de Mussa-al-bique
de Ngungunhane e de Mondlane
da firme trajetoria e da vitoria

ALSICO
in Atravessia

O VALOR DO BEIJO

Beija-me sempre nos olhos
com teus lábios vermelhos
e fundo respires no pé,
do meu pescoso e verás
que meu coraçăo late deveras

Deixe teu traço
no meu corpo negro de aço
e tua pomada nos meus lábios
em troca receberás a eternização
da nossa espécie
e jamais estinguiremos
seremos sempre eternos

Deixa-me viver
e criar outros
no teu místico corpo
deixa-me engomar tua pele
de ternura e excitação
para criar nova geração

ALSICO
in Atravessia

A REFLECÇÃO

A minha vida
instiga-me a alma
de uma esperânça confusa
que golpeia no coração
quando ao prôximo
relaciono-me misercordiosamente
e em resposta recebo salgação
De tanto ódio e vingança
pela artemanha de igualitarismo
onde só os inferiores
querem ser como seus superiores
num mundo inequiparavél
e pela bondande que já não existe
neste mundo de malabarísmo
de tantos mistérios imundos
Aqui realmente vivem
as esperânças de vingança
dum ânjo que é negado
no mundo pecaminoso
dos demonios que reinam
porque ninguém quer aceitar
a verdade da sua face
Neste nogento prado
onde todos os famintos aspiram
subsistir na peleja pelo pão
e quando a lua mingua
as brigas pela sobrevivěncia
como rio enchente esboçam
no leito de ódio e perfedia
E quando os homens se reconciliam
depois de sacrificarem gentes inocentes
pelo sacrilegio do santo amado
e pelas verdadas rez as que crescem
porque fora do tempo
ninguém está preparado
para partir deste elenco
De satírico jogo do mal
onde todos jogam para ganhar
o docicado pazer de viver
e,este tempo retido
é movido por damas estrelas
e quando tidas
melhora a razão de ser
Porque em văo jamais deverá ser
a razăo oculta de nossas intenções
para possui-las
e em silěncio
ainda que gritando mas ocultas
do resto do mundo inativo
de nosso movimento activo
de suor pudor e amor
tudo terá que ocorrer.

ALSICO
in Atravessia

ESTRANGEIRISMO

Estrangeirismo dôr amável e louca
dôr enamorada pela terra longinqua
estrangeirismo que vive nas escritas
que vive nestas vontades infinitas

estangeirismo íntimo aventurismo
lesando a mente de tanto viajar
nas longas distancias por andar
estrangeirismo de tanto viajar

na certeza desta distancia que separa-nos
e nas lágrimas que caindo oprimem-nos
no estrangeiro somos todos alheios
inertes indiferentes e sem meios

porque esta dôr embala as almas
e vai matando homens as calmas
pelo amor a terras ultramarinas
e pelo amantismo de suas meninas

estrangeirismo que me salva da morte
e me batiza desta sagrada sorte
porque no estrangeiro me salvarei
da penúria e da guerra nāo morrerei

ALSICO
IN ATRAVESSIA

SIMONORA

Simonora legenda pura da aurora
dilema dalgo de amor na autrora
árvore da vida cheia de ternura
que eterniza o carinho e a finura

simonora romance das velas
pureza da virtude pai e mâe
de nascer e crescer estrelas
que brilham nesta terra mâe

na observancia da ética
no dominio da fonética
desta gramática rústica
que nos engana na política

poque simonora é meu anjo
de docicado e fidedigno beijo
no manto da selva da vida
e é memória da bondade ida

que partiu cedo e silenciosamente
deixando saudades na nossa mente
arrancando consigo as pétalas de ser
e a vontade de ver o dia a nascer

simonora legenda irrevercivel da vida
dela aprasível nasci e de mim ela nasceu
mantendo assim a morte eximida ,vencida
e,toda a minha especie assim apareceu

ALSICO
IN ATRAVESSIA

RÚSSIA

Terra mística vindita e bendita
Rússia colosso pedaço do universo
Título da colusâo da terra santa
Rússia magma do mundo perverso

Rússia da história de ouro
Rússia reserva do tesouro
Rússia que limpou minha semblança
nas cátedras da razão de ser
do saber que é hoje minha eterna lança
de tudo que na vida devo saber

Rússia país do amanhã que vem
estrela do ceu apagada no ar
nos meteoritos da siberia que lá tem
e do império fortuno do czar.

ALSICO
IN ATRAVESSIA

O CANÁRIO

Teu canto é tão lindo canário
Teu canto traz esperança

com as tuas asas de tanta beleza
trazes a razão da nossa grandeza

bates as tuas asas côr de ouro
poque és canário puro
pássaro varonil e maduro
amarelado e não escuro

na bela costa da nossa esperança
trazes a chispa do amor e aliança
canário,tu enches o vão de riqueza
tu! canário alivias a nossa pobreza

ALSICO
IN ATRAVESSIA

A PRIMAVERA

Adoro-te primavera
contigo vem a ternura
a luz e o cintilar do sol
es docicado como o mel

vestes a natureza de verde
e despes a mulher de amor
por tí o centro da vida arde
na agonia de rimar sem temor

tú trazes a tentacâo ao Adão
tú tornas a sua alma inválida
enches de beleza o nosso vão
e te rendes deixando a terra cálida

primavera que minha alma venera
porque tu me trazes a vida e a crença
adornas de pelos a fauna e de flor a flora
deixado-me alimento e eterna herança

ALSICO
in atravessia

OS VERSOS

Os versos tranquilizam-se quando rimam
na beleza desta magma arte porque amam
nascem no cerobro e crescem na mão
desenvolvem-se na alma e vivem no coração

dâo esperança e dizem que viverei
versos de amor que tanto esperei
naquela ilha vazilha em que estive
e na grandeza deste sonho que tive

naquelas caraibenhas perolas das areias negras
nas praias de varadeiro que me batizaram
de tantas mulatas de amor-doiro e de varias regras
versos que apreciam belas mulheres e rimam

amo o verso porque nele vivo
na Úcrânia de donzelas luzentas
na frescura da loucura que lavro
no inverno de mulheres lindas e tantas

amo o verso e nele me expresso
porque de amor morro vivendo
nas entranhas deste imploravel dorso
de amor vivendo e verso escrvendo

ALSICO
in atravessia

CHIBUTO

Robusto venusto meu chibuto
de teu povo heroico e impoluto
que se repercutiu em coolela
Chibuto que arde como vela

Chibuto terra marcial
de teu ímpeto varonil
incendiado pelo rei Ngungunhane
e atiçado pelo general Maguiguane
adoçado pelo nosso nitido Mondlane

Nas copiosas batidas,nas nossas varzeas
onde portucalenses pereciam de ignomínias
inaptos nas vavavás pelos improvaveis fracassos
Chibuto! Tu, em africa es um dos casos escassos.

Chibuto terra vitoria
terra de nossa historia
que nasce arvores uniformes
divisas em chibuto crescem
Chibuto de virtudes enormes
e,lideres em chibuto nascem

ALSICO
IN ATRAVESSIA

A IMAGEM DO AMOR

Movo esta imagem de amor
como verdadeiro desenhador
emanado de plastelina faço amor
assim,enamorado, ilusionado

Tudo ocorre fino como no sono
e em plena luz de esplendor
pinto flores cheias de amor
tudo sai-me da alma é uma dor

Flores espalhadas no chão
vou recolhendo-as no coração
flores tristes cor de sangue
que corre nas veias e segue

como nas cruzadas
é uma dor de sal nas feridas
amor da edade de oiro
por ser puro e verdadeiro.

ALSICO
IN ATRAVESSIA

A MINHA LIBERDADE

A minha liberdade advėm da pureza
Advėm do meu espirito, do meu intelecto
Que ė a minha verdadeira riqueza
Eximir obrigações e rendições ė meu acto

Um tacto inacto por obrar
Porque em liberdade serei decifrado
No mundo do amanhã a lavrar
E em liberdade eu serei amado

Porque terei algo por dizer, amável
Ascendente ,inсisivo, insobornável !
Minha liberdade ė uma vital semente
Que meus seguidores lavrarāo na mente

Porque jamais se renderão
Então virá a verdadeira liberdade
E a vida não passará em vão
Cultivaremos a moçambicanidade

Nas lindas cores da nossa bandeira
Crescerá uma liberdade verdadeira
No verde dos nossos campos viveremos
E do nosso indico nos alimentaremos

Várias folhas perenes passarāo no calendário
E a liberdade cairá como condena
Nas capacidades cognocitivas virá algo lendário
Veremos a luz do sól que luz e mena

E teremos distinções e certames da vida
Liberdade de este espírito e da mente tida
Liberdade como recurso a escolher
Porque ė fruto da alma por colher

ALSICO
In Atravessia

A VÓZ DA RAZÃO

Esta vóz é artéria do meu coração
Nasce com o sól é materia da razão
Esta vóz é memória contra os tempos
Da blasfémia hedionda em África

Esta vóz é centro da razão
Acende a chama no brasão
Para plantar o amanha felíz
Na Somalia, em Angola em trévas

Esta vóz grita nua em Ruanda
E na cidade escura de Luanda
Ensina a gente a ouvir a razão
De tantos irmãos sacrificados

Esta vóz late na trincheira da guerra
Na história por escrever sobre a terra
Ensaguentada, saqueada e espoliada
Esta vóz grita no matorral e na estrada

Esta vóz chora por vós
No Burundi terra imundi
No Zaire,no Congo por vós
Por vós no Bissau e no Sudão

África escuta a vóz da razão
Na esperança da luz Moçambique
Onde velas lúcidas aquecem a razão
Da paz que no ar cresce e aquece

Esta vóz levanta no norte e ao redor da morte
Na utopía da Etiópia e na inocência da sua sorte
Cadáveres e outra vez cadáveres
Hutos e Tutsis genocidio de nazís

Levanta-te África vóz da razão
Levanta-te meu sonho na Libéria
Páz a Serra Leoa terra do leão
Tua terra tranquilidade e alegria

Olhos desorbitados choram por tí África
Porque és pánico e és centro de desastre
Por isso levanta-te minha vóz da razão rica
Grita alto minha vóz não cales tu és mestre

Porque neste lápis não te estrangularão
Tu levantarás vivo e clamarás no clarão
Nas brasas falarás linguas sem fronteira
Porque és a razão e nasceste da furia

De tantas vózes apagadas
No borde das desavenças
Das lutas e das porradas
Que são a África semblante

Levanta-te minha vóz e a todos expliques
Somos irmãos e não devemos ser maus
Que vivamos nossa África rica
E escutémos sempre a vóz da rezão

ALSICO
In Atravessia

AMIGO DE CATALUŇA

Amigo mio y afectuoso
repercutor del alma y bondoso
de las lejanias de tu amada espaňa
y de tu legítima tierra cataluňa

Amigo de las entraňas de león
tierra de castaňa y de melón
navegador de vuelos de aviones
y representante de los catalanes

En esos viagenes triunfantes
enamorado de ileales amantes
infieles en su dulce mirar
deshechas,carentes de amor

Amigo mio del hondo de alma
polivalente de tanto talento
emanado de fórmulas en tu calma
de química y de tu aliento

porque tu saber lugar no ocupa
en tu estatura de altura pequeňa
miniatura postura iberica sin culpa
que hables tu lengua,amena latina!

Amigo mio, de mis apuestas
de conquistas sin respuestas
de muchachas rubias esbeltas
para nosotros predilectas

rímalas fuerte y en su cuerpo vivas
porque ellas son frutas, son uvas
que tú las fermentas y las echas
y de su amor te emborrachas

como de vino ébrio de amor
de ellas chupas la miel de la flor
y aprendes el cirilio encantado
porque de ellas estás enamorado

Amigo mio aquí te esperamos
porque de tu risa alegramos
las tejas de nuestras chosas
por verte y por tantas cosas

que rompem el silencio
en los timbres de teléfonos
interdictos de noches de ocio
contigo no estamos solos

ALSICO
In Atravessia

IDIOTAS

Ideias infermas,simbioticas,personificadas e microbióticas
Na tentativa de igualar inferiores a seus superiores
Esperimentos falazes deshumanos,vidas loucas e cómicas
Colapso que todos iremos persolver- nações e poderes

Fustigar Deus e cultivar blasfémias-vandalismo
Esportular fanatismo de terrorismo -comunismo
Abundância-têmpora protagonista, medalhas-Heroimo
Viva,viva ,viva e niguém vive, colera e pauperrismo

Onde tú vais africano,cuidado com o destino
Capitalismo ,comunismo, fanatismo ,idiotismo
Quero tecto, pão e lei de homens reunidos
Nada de Russia e tão pouco de Estados Unidos

Porque ha povos pequenos e grandes
Que querem cultivar a sua cultura
Em liberdade absoluta,não em grádes
Nada de globalização e loucura

Hegemonias e conquistas,subordinar e reinar
Bombardear e matar nada de isto, explosões!
Saquear e roubar-capitalismo na capa de criar
Minha Africa de múltiples sofrimentos, ilusões!

Quero páz quero pão e ocupação
Quero trabalho nada de aliciação
Milhões de corpos descamisados clamam pelo pão
Quero meu povo e minha África nada de ilusão

ALSICO
In atravessia

MAPUTO

Maputo de vozes roucas e cálidas na orilha do índico
De aguaceiros de suor e do rítimo de algo bíblico
Maputo banhado pela luz do crepusculo
De mulheres de fogo no útero carbunculo

Maputo de crianças nas costas a capulana
De mulheres despidas vendedoras de banana
Que impatam tão profundamente como o olor
Olor das flores frescas,do peixe,do calor e suor

Maputo cidade mundo retido no tempo
Onde a sombra da vida se esconde no pó
Das grandes avenidas imperiais
E dos belos rincões do cais

Cais- vozes de barcos que nos despertam
Para a infrutífera jornada empreteira
Das fábricas que no salário nos aldrabam
E do pejoso trabalho do balde e vassoura

Maputo esperanca rítmica irreversivel da páz
E do aquecer da luz que na aurora o sol tráz
Emanado nas ancas das donzelas que dançando atracam
Na marrabenta de sons desafinados de guitarras que rimam

ALSICO
In Atravessia

A MINHA VITÓRIA

Na nolstalgia recordo muito
aquela época estudantil
porque é felicidade- e tanto !
aquela inocência infantil

estar relaxado e sentir-se apaixonado
um grande prazer, estar enamorado
minha memória recorda este ritual
escolinha,cultura e trabalho manual

sentir-se perante a tradição e a modernidade
tentar que o ser e o estar conscidam
perder-se no labarinto cómico da barbaridade
burlar-se das desgraças que enfadam

nesta subtíl ironia da espanolusofonía
acatar a convicção sem perder a consciência
de que se trata de convicção,monotonia
irónica,macabra e sarcástica plena inocência

destruir o equilíbrio social e oficial
das normas de educação pela maldição
vida e recreação da vida
bofetadas da vida e do destino Afrolatino

displicéncia filosófica
extroversão e gesticulação
incomunicação absoluta
metáfora de algo de luta

desvestir toda minha personalidade
minha alma com tanta naturalidade
tudo isto assusta e custa
um mundo de inocência e ciência

desencantado e incomunicado
mas com uma angústia que nunca
perdido no megápolis da selva escura
batizado por doutrinas da loucura

tudo é útil porque serve de espelho
e se transforma em pergunta
feita atropeladamente e com bom olho
tudo tem explicação, meu rol aceita

ser pecador e perdedor
lograr o defícil mas útil e dócil
ganhar-se a sí mesmo
em luta contra sí mesmo

viver minha personalidade
questionada e sempre identificada
louvar e glorificar a inglória
que afinal é minha eterna vitória

ALSICO
in Atravessia

Noites longinquas

Maputo virtuoso noctámbulo e consumado
Trajado de alegrias nocturnas de posguerra
Recreação e recuperação de tudo perdido
Tentação e sensação que gente enterra

Rua Araujo berço de mulheres embriagadas
Uma constancia prismática na Marginal
Raparigas mercantis,pelos meticais,vanicadas
Fogo uterino,múltiplos incestos na cova original

Noites longas de estio de suor e sabor a cosméticos
Rabinhos decubitos de movimentos polifacéticos
Maputo de noites longinquas de consunção pela excitação
Capitalidade sublime do perigo oculto em expansão

Maputo repertório esquálido de vózes iníquas
Capital letal de gentes prudentes e inócuas
Maputo capitólio possante de rezas infinitas
Pelas injusticas celestiais de suas gentes santas

Meu paladar de sabor cultista insisivo
Sabor puro da minha terra de amor ativo
Que fornica lavrando gente e edifica
Noites longinquas de gente que amor pratica

ALSICO
In Atravessia

© Алсико Пал Отеро 2008